09 novembro, 2008

Crônicas: Felicidade Norueguesa


Estava eu argumentando com minha amada amiga sobre mais uma de minhas novas teorias existenciais e resolvi quebrar o silêncio de dias e escrever um pequeno devaneio filosófico aqui.

Fico impressionada como eu mesma tenho a capacidade de teorizar tudo que se passa. rs rs rs rs

Enfim, falei para ela que a vida às vezes tende a ter um gosto de "felicidade Norueguesa".

Hum... Raquele... mais uma teoria... vai lá e diz... qual é?

Não sei bem se é na Noruega, ou na Finlândia, quiça Suécia... enfim, naquele pedacinho de Europa em que o IDH é um dos mais altos do mundo (para quem não sabe, índice de desenvolvimento humano) que me baseio para teorizar minha filosofia.

Num país como aquele, com tamanho desenvolvimento humano, logo imaginamos ser o paraíso. (Excetuando o fato de que é nublado e cinza! E eu particularmente ODEIO lugares cinzas, chuvosos e frios).

Bem, com alto IDH é um país ótimo de se viver, sem criminalidade, crises econômicas, possui alto índice de escolaridade, boas igrejas...

É praticamente o céu...

Ou seja, uma "felicidade Norueguesa" de dar gosto.

Mas pasmem ao que vou dizer.

Por aquelas bandas dali há um enorme índice de suicídios. (vide reportagem)


Por que então um país tão bom e maravilhoso, com alto nível de qualidade e teórica felicidade leva as pessoas a tentarem a própria morte????

(eu particularmente acho que são os dias pouco ensolarados rs rs rs s)

Bem, é o que eu passei a chamar de síndrome da felicidade Norueguesa.

Muitas vezes nós mesmos temos o mundo perfeito em nossas mãos. Boa família, amor de amigos, bom emprego, conforto, tudo aquilo que desejávamos quando éramos mais jovens, e mesmo assim a Felicidade Norueguesa às vezes causa uma sensação de tédio e tristeza quase depressivos.

Acredito que se a "Felicidade Norueguesa" tivesse uma cor, ela seria creme.

Refletindo bastante, e apesar de achar que é bom realizar nossos sonhos materiais e correr atrás deles com comedida e saudável ambição cheguei a conclusão que não é essa a "Felicidade"que desejo para mim e nem mesmo para as pessoas que amo e estimo.

Desejo a todos a "Felicidade latina", baseada em algo mais vivo, quente, apaixonante e alegre e não só baseado em segurança material e física.

Afinal, como a própria reportagem diz, os noruegueses se preocupam tanto com a segurança e vivem em função do futuro que se esquecem de viver o presente e aproveitar as coisas mais simples e deliciosas dessa vida.

Por isso, amados, prestem atenção em suas vidas e vejam se não estão vivendo uma síndrome da Felicidade Norueguesa!!!

Espero e torço para que estejam vivendo plenamente a "felicidade Latina"!!!!

22 outubro, 2008

Vinhos

Lembro de amigos enólogos, outros nem tanto e outros que, como eu, gostam apenas de uma biritinha de quando em vez.

Aí vem essa matéria e ferra com tudo.

16 outubro, 2008

Gotas: Elefante 1


Alguém POR FAVOR, ensine os elefantes a ATRAVESSAR A RUA!!!!!

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL801511-5602,00-ELEFANTE+E+SOCORRIDO+APOS+TER+SIDO+ATROPELADO+POR+TREM+DE+CARGA+NA+INDIA.html


Gotas de sabedoria Hindu:

Um elefante andando na auto-estrada no México* incomoda muita gente, outro elefante atravessando a ferrovia na Índia incomoda muito mais!


*para quem nao se lembra da historia do elefante no méxico : http://omundocreme.blogspot.com/2008/09/gostas-de-sabedoria-hindu.html

Gotas: em tempos de crise, nada como ter fé


para quem acredita não custa nada fazer uma fezinha na Santa rs rs rs...

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL798354-5598,00-DIA+DE+PADROEIRA+DOS+ENDIVIDADOS+E+CELEBRADO+NESTA+QUINTAFEIRA.html

Gotas de sabedoria Hindu:

Tem contas que o dinheiro paga, para todas as outras, reza para Santa Edwiges!

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14 outubro, 2008

Crônicas: Meu amor, o que você faria se só lhe restasse esse dia?


Meu amor, o que você faria se só lhe restasse esse dia?

Para quem tem medo absurdo da morte, essa é uma pergunta temerosa.
Porque me faz refletir sobre o que é mais importante e o que deve ser feito antes do momento final.

Seria clichê demais dizer que gostaria de reunir amigos, parentes e todas as pessoas queridas e especiais que fizeram parte da minha existência, e dizer a cada um deles o quão suas pitadas de açucar na massa do bolo da minha vida a tornaram doce, ou o quanto o amargor da calda que muitos ousaram derramar, tornaram o recheio bem interessante, ainda que num primeiro momento, meio desgostoso de engolir, mas necessário porque assim pude aprender a diferenciar o paladar.

À alguns que foram amados e me amaram de forma especial, agradeceria pelo fermento adicionado, que fizeram a massa crescer, tornando-a visivel, atraente e apetitosa.

Àqueles que foram como gurus, verdaderios anjos, não poderia deixar de reconhecer a cobertura linda que me deram, o qual não teria dado ao bolo tamanha delicadeza e acabamento.

Aos meu filhos, filhos de amigos próximos e aos sobrinhos diria que as jujubas que posicionaram tão incrivelmente em torno do bolo deram um doque de docilidade, infantilidade, inocência e magia, sem o qual ele seria muito sem graça e nada aprazível aos olhos.

E àquele que me acompanhou há longos anos, quase metade da minha vida, dando fogo do amor incondicional à vela do bolo, eu daria um beijo e diria meu muito obrigada por ter mantido essa vela acesa sem a qual a festa não teria a menor graça e sentido de existir.

E assim, cantaríamos parabéns pela vida, ou pela morte, cortaríamos o bolo, comeríamos, riríamos, lembraríamos, choraríamos, nos despediríamos, e enfim, a ela me entregaria, feliz pelo dever cumprido e com a grata satisfação de dizer: SIM EU VIVI PLENAMENTE.

Mas espero que essa festa demore ainda uns 60 anos para acontecer, porque eu realmente morro de medo de morrer!

Raquele Braga

11 outubro, 2008

Dedé: Comprometa-se

Comprometa-se consigo mesmo

Comprometa-se a estar, desperto

Comprometa-se a caminhar, decerto

Comprometa-se a ser, concreto

Comprometa-se a ver, engano

Comprometa-se a mudar, o plano

07 outubro, 2008

Crônicas; Sonhos, sons, silêncio.


Sonhos, sons, silêncio.
Adormeci depois de um longo dia, a espera de sonhos coloridos e divertidos. Sim, porque sou movida a risos, gargalhas, e gozos. Mas meu desejo na verdade se transformou num desespero angustiante.
O sonho esperado foi na verdade um pesadelo, desses sem pé nem cabeça, mas com certas mensagens reais e inquietantes.
Acordei, ao som da minha própria respiração, ofegante, tensa, triste, preocupada.
O peito subindo e descendo, o som anasalado insistindo compassadamente, sendo a trilha sonora daquele despertar sorumbático e tenso, como um instrumento de sopro quebrado:
Thinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thunnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thunnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Que sonho revelador. Que inquietação.
As perguntas inham e vinham. E o compasso continuava marcando o tempo da canção.
Thinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thunnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thunnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Da ofegante da respiração, tentei mudar o ritmo, para algo mais suave, como quem tenta a qualquer custo re-encontrar equilíbrio e paz para voltar a dormir.
E ao acalmar a respiração, pude ouvir ainda mais no silêncio.
E enquanto ouvia, pensava: Será que é verdade?
TUM TUM!!
A dor de imaginar aquele sonho real me doía o peito torturosamente. E o tambor forte soava ensurdecedor em mim.
TUM TUM TUM TUM TUM!
Revirei, ouvindo rangidos da cama com algum parafuso a apertar.
Revirei novamente, e nada soava tão alto naquele quarto quanto o som da angústia que sentia naquele momento.
TUM TUM!
Thinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thunnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
TUM TUM!
Thinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Thunnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
A única coisa que poderia calar este som, era o próprio silêncio da noite.
A única coisa que poderia calar essa dor, era o próprio silêncio da alma, ainda que um silêncio dolorido.
E para alguém já cansada de ouvir essa canção sem graça, ao som desse silêncio, calei o tambor, calei o instrumento de sopro, calei os sons dos meus pensamentos. Me calei.
E adormeci.
Nada como dormir com as angústias e acordar com as certezas.